Estação de Tratamento de Águas Residuais de Cortes - Monção

No dia 3 de Fevereiro do ano em curso os Jovens Repórteres do Ambiente visitaram a Estação de Tratamento de Águas Residuais de Cortes, infra-estrutura da responsabilidade das Águas de Minho e Lima, sociedade do Grupo Águas de Portugal que gere e explora o complexo de tratamento de águas residuais, onde foram recebidos pela Sr.ª Engenheira Sérgia Gomes, Técnica Superior de Operação e Manutenção da ETAR. Foi inteiramente explicado o funcionamento da ETAR, quer mediante uma visita guiada, quer por explicação do painel esquemático exposto nas instalações e do programa informático de monitorização das instalações.

 

Águas residuais

Um dos grandes problemas com que nos deparamos na maior parte dos meios urbanos é o não tratamento das águas residuais libertadas pelas indústrias ou mesmo através de via doméstica. Uma das soluções encontradas foi as Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR’s).

Existem duas Estações de Tratamento de Águas Residuais em Monção, em Cortes e Ceivães, foram criadas em 2007, e têm vindo a servir desde então a população do nosso concelho. Estas são duas: Estações de Tratamento que não abrangem todo o concelho, mas que tratam actualmente uma quantidade significativa de água. As águas residuais tratadas na ETAR são de dois tipos: domésticas (fecais ou saponáceas) e industriais.

 

Tratamento de Águas Residuais

Dependendo do tipo de efluente a ser tratado na ETAR, existem quatro tipos de tratamento essencialmente.

Tratamento Preliminar - As águas residuais brutas são inicialmente sujeitas a um tratamento preliminar. Esta fase corresponde a uma gradagem fina ou microtamisação para a remoção dos sólidos em suspensão, a uma elevação inicial por bombagem e à remoção de areias e gorduras por injecção de ar comprimido.

A ETAR apresenta um tanque de recepção e armazenamento de lamas provenientes de fossas sépticas (volume = 34m3), a partir do qual é feita a alimentação à linha líquida da ETAR para tratamento conjunto. As lamas de fossas sépticas são resíduos na fase líquida, provenientes de sistemas autónomos de tratamento de águas residuais instalados em zonas não servidas pelos sistemas de saneamento principais.

 

 

Tratamento secundário - constituído primeiramente por processos biológicos e, em seguida, de processos físico-químicos. No processo biológico podem ser utilizados dois tipos diferentes de tratamento:
-  aeróbios, onde, em função das características do efluente, se podem utilizar: tanque de lamas activadas (o ar é insuflado com um arejador de superfície), lagoas arejadas com macrófitos, leitos percoladores ou biodiscos;
-  anaeróbio, onde podem ser utilizadas as lagoas ou digestores anaeróbios.

 

No processo físico-químico são utilizados um ou mais sedimentadores secundários onde é feita a sedimentação dos flocos biológicos, saindo o líquido, depois deste tratamento, isento de sólidos ou flocos biológicos. As lamas que resultam deste tratamento são secas em leitos de secagem, sacos filtrantes ou filtros de prensa.

 

Tratamento terciário - Os processos fisico-quimicos estão também presentes no tratamento terciário. Através da utilização de lagoas de maturação e nitrificação vai dar-se a remoção de microrganismos patogénicos. Por fim, a água resultante é sujeita a desinfecção através da absorção (com a utilização de carvão activado) e radiação ultra-violeta.

 

Tratamento de lamas – as lamas resultantes dos tratamentos anteriores são submetidas a um processo e secagem e armazenamento e utilizadas com fertilizantes na agricultura.

               

Esta visita de estudo contribuiu muito para um maior conhecimento dos diversos tratamentos a que as águas residuais são sujeitas no nosso concelho, de lamentar, contudo que o sistema de saneamento que recepciona essas águas residuais não abranja todo o concelho, o que faz com que continuem a existir as fossas sépticas que, muitas vezes, contaminam as águas de profundidade utilizadas para consumo humano, nomeadamente a dos poços particulares.

Existe um interesse substancial em melhorar as funcionalidades das ETAR’s em Portugal, já que estas estruturas são, ainda, bastante menos capacitadas em relação às do estrangeiro.

É de louvar, no entanto, o crescente apoio e investimento feitos pelo Governo e UE nestes complexos de tratamento de que advém, sem dúvida, uma melhor qualidade ambiental e uma melhoria nas condições de Saúde Pública, mesmo do nosso concelho.

Sente-se, talvez, a necessidade de, no futuro, se proceder ao aumento e reestruturação das ETAR’s do nosso concelho para se tornarem mais eficientes e para fazerem face ao aumento populacional.

 

Os Jovens Repórteres do Ambiente agradecem às Águas de Minho e Lima, nas pessoas da Eng.ª Sérgia Gomes, a excelente recepção, a clareza e qualidade científica das explicações solicitadas e deixam a esta Sociedade um bem-haja pelo trabalho em prol do Ambiente.